Foto? Valter Campanato / Agência Brasil
Um dia após o anúncio do novo pacote de tarifas de importação pelo governo de Donald Trump, os mercados globais reagiram com forte instabilidade — mas o Brasil destoou da tendência negativa e apresentou desempenho mais brando. O dólar comercial caiu para R$ 5,629, o menor valor em quase seis meses, enquanto a bolsa de valores fechou praticamente estável, apesar da queda generalizada nas bolsas internacionais.
A moeda norte-americana encerrou esta quinta-feira (3) com recuo de 1,23%, em um movimento de correção e entrada de recursos estrangeiros. Ao longo do dia, o dólar chegou a ser negociado a R$ 5,59, sua menor cotação intradiária desde 14 de outubro de 2024. No acumulado do ano, a moeda já caiu 8,91% frente ao real.
Apesar do temor inicial, investidores interpretaram que as sobretaxas impostas por Trump — 10% para a América Latina, 20% para a Europa e 30% para a Ásia — tiveram impacto menor sobre as economias emergentes do que se previa. A perspectiva de que os produtos brasileiros não seriam tão afetados gerou alívio nos ativos nacionais.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, oscilou durante o dia, mas encerrou com leve queda de 0,04%, aos 131.141 pontos. A estabilidade foi considerada positiva, especialmente frente às fortes baixas registradas nas bolsas internacionais.
Nos Estados Unidos, os principais índices despencaram:
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Dow Jones caiu 3,98%
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Nasdaq recuou 5,97%
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S&P 500 perdeu 4,84%
As perdas refletem o temor de que as medidas protecionistas de Trump prejudiquem as grandes empresas norte-americanas, especialmente exportadoras e multinacionais.
Com o impacto das tarifas sendo visto como mais suave para a América Latina, investidores buscaram oportunidades em moedas e ativos de países emergentes, considerados subvalorizados. Essa movimentação favoreceu o real e contribuiu para o alívio no câmbio e no mercado de ações brasileiro.
Na contramão do dólar, o euro comercial subiu 0,35%, fechando cotado a R$ 6,20, refletindo a pressão sobre a moeda norte-americana em outros mercados.
TRIBUNA DA BAHIA